Pombo com coração de Passarinho

É verdadeiramente gratificante quando através do conhecimento e da ciência conseguimos ajudar as pessoas a recuperar. A visão de um doente a abandonar uma Unidade de Saúde, com um sorriso e uma mão cheia de obrigados, que distribui simpaticamente por todos os que ajudaram na sua recuperação, é um excelente tónico para nos dar força e continuar a trabalhar num ramo onde nem sempre a ciência e o conhecimento são suficientes para dar cobro aos desejos dos doentes.

Por vezes todo este processo de recuperação atravessa diferentes etapas de restabelecimento e diferentes unidades. Quando a coisa complica o último recurso é obrigatoriamente uma Unidade de Cuidados intensivos. J. Pombo, passou por lá 3 vezes durante um só internamento, e naturalmente no dia da sua alta, todos absorvemos um obrigado especial e sincero de um homem que tinha recuperado e do qual já todos conheciam o nome. É indissociável, quando as pessoas estão há mais tempo que o usual, afeiçoamo-nos um pouco mais e naturalmente decoramos o seu nome, mais ainda quando se tem “Pombo” no apelido .

Após o “milagre” que foi o Sr. J.P. sair pelo seu pé, na manhã seguinte, liguei para sua casa e informei a Sr.ª que me atendeu ao telefone que estariam já disponíveis mais alguns resultados de exames para serem levantados.

Como um mundo que nos cai em cima, como uma murraça que nos não na boca do estômago ou um chapadão que nos dão, sem sabermos de onde veio, a frase vinda do outro lado da linha assim suou…

Felizmente a senhora falou e desligou. Ainda hoje ando a pensar o que deveria dizer caso a Sr.ª não tivesse desligado de imediato. Depois de ouvir o que ouvi, fiquei sem palavras e engoli em seco…

-AGORA JÁ NÃO SÃO PRECISOS, O SR.JP JÁ MORREU! (fim da chamada)

Obs. Falei com cientistas sobre o assunto, disseram que o Sr. Pombo tinha sido “tramado” pelo seu coração de passarinho.

~ 26 maio 2009 2 Deixar Comentário

Chave de Fendas

Corria o mês de Abril, e o Sr. A.R. estava internado no nosso Serviço. Enquanto isto, eu estava em casa a recuperar de um quisto dermóide (esta parte não é ficção).

Coisa estranha para se ter, se não sabem o que é, não queiram saber.

Após a alta do Sr. JR, ficou agendado um próximo internamento para realizar uma colonoscopia.

Coisa estranha para se fazer, se não sabem o que é, não queiram saber.

Foi precisamente no acolhimento ao segundo internamento, já comigo de volta à Unidade Hospitalar, que a história acontece. Além do saco com exames que trazia debaixo do braço, o Sr. A.R trazia consigo uma valente chave de fendas vermelha.

“Parece que havia para ai uma cadeira com os parafusos fora do lugar… e como a Sr.ª Enfermeira não tinha nenhuma ferramenta para os pôr na ordem… resolvi trazer-lhe esta chave. Assim já não há desculpa para a cadeira ficar desengonçada, chaves de fendas é o que não falta lá em casa, fique com ela”, rematou.

Tivesse o Sr. Reis tanta saúde como chaves de fendas e o seu caso estaria resolvido.

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Onde mora o Sr. JR

JR é um palhaço reformado. Durante os variados internamentos que teve na Unidade Hospitalar, mostrou sempre uma postura de doente educado e simpático. Da última vez que deu entrada vinha com o semblante mais pesado...a morte da sua mulher, durante este período de vai e vem, tinha-lhe roubado o sorriso.

No dia da alta, antes da hora de almoço, uma das filhas veio buscá-lo ficando agendado o regresso de um familiar para levantar um impresso que tinha ficado à espera de validação. Assim e tal como combinado, uma outra filha apareceu no serviço um pouco mais tarde. O impresso de requisição de Oxigénio domiciliário já estava despachado e em jeito de despedida, desejámos as melhoras ao senhor, ao que a filha retorquiu com um “obrigado, pois bem precisa…”

Logo após a alta e à saída da Unidade Hospitalar, o homem escorregou e caiu, (c’os diabos, é preciso azar) resultando de imediato numa visita ao Serviço de Emergência. O tratamento adequado para este caso foram os respectivos 5ou 6 pontos na boca. (C’os diabos novamente)

Ficámos também a saber que não foi feita a entrega do oxigénio no dia da alta, o aparelho requisitado inicialmente teve de ser reajustado para a realidade doméstica de um verdadeiro palhaço. Sr. JR vive numa roulotte com o resto da família.

~ 25 maio 2009 0 Deixar Comentário

Look Right, I’m in London! - Parte I

A viagem a Londres já foi feita no passado mês de Março, mas apenas agora publico a mensagem sobre o assunto.



Desta vez decidi escrever de uma forma menos organizada. Além da apresentação das fotografias independentemente da sua ordem cronológica, o habitual agradecimento fica também já aqui escarrapachado. Ana Teresa e Carina, obrigado pela vossa colaboração para o blogue, ou melhor Thank's!




Não sei se têm a mesma ideia que eu, mas quando penso em Londres, componho logo a fotografia com aquele misterioso nevoeiro à mistura. Um ambiente muito “foggy” e Jack The Ripper a espreitar à esquina. Aliás este cenário de “Locus Horrendus” que imagino, é possivelmente o meu cenário predilecto para decorrer a acção de um Filme, apesar de o meu filme favorito ser um Western Spaghetti.





Vamos ao que interessa, Big Bem, muita gente desconhece, mas não se trata do famoso relógio, ou a torre onde está inserido. Big Ben é o nome do Sino do relógio (13t e quase 3m de diâmetro).



Curiosidade: uma vez uns pássaros pousaram num dos ponteiros do relógio e desregularam-no em quase 5 minutos.





A Tower Clock, está inserida no Palácio de Westminster, um dos mais célebres edifícios em todo o mundo.



O Palácio fica na Margem norte do rio Tamisa.




O Palácio de Buckingham é a residência oficial da monarquia britânica em Londres. Além de outras coisas, o Palácio serve de base a todas as visitas oficiais de chefes de estado ao Reino Unido.



Na margem sul, se optarem por uma volta na roda gigante (London Eye), dispõem-se de uma fantástica vista, não só para o referido palácio, mas também sobre grande parte da margem norte de Londres.






Nice view...



Vista sobre o rio Tamisa





Não sei ao certo qual foi o trajecto escolhido na visita à capital, mas sendo uma cidade com tão enorme espólio de monumentos e atracções turísticas, acredito que a forma como aqui apresento a “reportagem fotográfica” é irrelevante.





À frente do Palácio de Buckingham, está o memorial à Rainha Vitória. A primeira monarca a residir no Palácio



Apesar de ser um edifício muito importante, este não é particularmente admirado por todos. Após uma votação para avaliação da beleza dos prédios Londrinos, este não se livrou de ser eleito o 4º mais feio. (Que raio de coisa para se votar)



Trafalgar Square é uma praça no centro de Londres. Aqui está representada a celebração da vitória da Marinha Real Britânica nas Guerras Napoleónicas - Batalha de Trafalgar (1805).





No centro da praça existe uma coluna, no seu topo está colocada a estátua do Almirante Nélson, o vencedor da batalha de Trafalgar. A Coluna do Nelson… :-)




Em Londres podemos encontrar diversos jardins e parques. Será importante dizer onde foi tirada a fotografia? Penso que não pois a graça está nos seus usuais habitantes..




O sitio perfeito para os turistas fazerem uma breve pausa e descançarem as pernas...



Total relax....



Os esquilos são uma presença comum nos parques, e sempre umas simpáticas figuras...
Acho que podiamos copiar esta ideia para os nossos jardins, não sei é se os esquilos iriam gostar da ideia...



O museu de cera dispensa apresentações ou comentários. Acredito que todos sabem do que se trata e o que lá podemos encontar: Aqui foi tirada uma das minhas fotografias favoritas do blogue.




Quando vi o registo, disse para mim… “5 Estrelas”…não acham o mesmo…?
(estou-me referir à foto que vem a seguir..)





Também não escrevo sobre o Charlie Chaplin, ou melhor sobre Sir Charles Spencer Chaplin Jr. Mas deixo uma pergunta, sabem quem é a Emma Shaplin?




Sobre o rio Tamisa está a Tower Bridge. Inaugurada no ano de 1894, apresenta como principal característica o facto de ser uma ponte-báscula.


Sendo conhecida como uma das pontes mais famosas do mundo, naturalmente é também um dos pontos de referência na cidade.





Alguém sabe o nome daquele edificio, lá atrás, tipo supositório envidraçado?


Notting Hill, Picadilly Circus e a St Paul’s Cathedral, também fizeram parte do roteiro.



The Travel Bookshop em Notting Hill, recordam-se de ver isto no filme?




Piccadilly Circus é uma famosa praça de Londres, talvez o centro de Londres moderna… Esta afirmação poderá trazer alguma controvérsia mas se assim não for, é claramente uma das zonas mais movimentadas da capital britânica. Rodeada de várias lojas e atracções turísticas, é o sítio ideal para se dizer “ Baby, I’m in London”



Quanto à St. Paul’s Cathedral, será importante escrever que foi aqui que o príncipe Carlos e a princesa Diana casaram. Foi no dia 29 de Julho de 1981. Não me lembro nada da data, mas lembro-me do que aconteceu posteriormente e por isso arrisco escrever que duvido muito que tenha chovido nesse dia….Dia abençoado? I’ve got my doubts, sorry.




A finalizar, uma fotografia da típica cabine telefónica de Londres, uma em Chinatown “ eles estão por todo o lado : -) ” e uma das nossas amigas com o FV.


Ana Teresa, Fernão Veloso e Carina (trás o resto das fotos)



A fechar e só por curiosidade, fez ontem 30 anos que Margaret Thatcher se tornou a primeira mulher a chefiar um governo Britânico. Apesar de ter uma estátua em bronze, ficou conhecida como “A dama de ferro” lembram-se do que escrevi no inicio da mensagem – LOCUS HORRENDUS…UUUUUUUHHH, medo, muito medo …a Dama de Ferro….


Abraço de amizade para todos

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Mais de um mês sem escrever para o blogue… não pode ser… Apetecia-me escrever uma asneira em Inglês…The “F” Word… Enfim.

~ 06 maio 2009 2 Deixar Comentário

Posição - OFF

Earth Hour, em português Hora do Planeta, é uma campanha de sensibilização ambiental que pretende que o máximo número de casas/cidades fiquem às escuras durante 60 minutos.

Está previsto que mais de 1/6 da população mundial adira a esta iniciativa. Em Portugal o Cristo Rei, a Ponte 25 de Abril e outros monumentos nacionais, vão ficar às escuras.

Mais informação em http://www.earthhour.org/

Divulgem s.f.f e apaguem luz.

Abraço de amizade para todos

~ 18 março 2009 0 Deixar Comentário

Os Marroquinos comem com a mão direita

Um mês e tal depois da última mensagem, aparecem novidades no blogue. Não se trata falta de inspiração, mas sim falta de tempo. É verdade que o computador também não ajuda muito, mas espero que o n.º de fotografias apresentadas e o conteudo desta mensagem, suprima esta longa ausência.

Esta mensagem além da 1ª viagem ao Continente Africano, representa o recorde de fotografias tiradas numa só aventura de Fernão Veloso. Se alguma vez me referi à palavra aventura nas viagens feitas pelo boneco, esta denominação foi claramente bem empregue desta vez. A viagem ao invés de utilizar o habitual meio de transporte, o avião, foi feita de automóvel. De Portugal a Marrocos vão muitos Km’s mas isso não foi um obstáculo para quem viveu esta viagem.

A primeira paragem em África, para tirar uma fotografia ao Veloso, foi já nas montanhas. No interior de Marrocos fica a cidade de Chef-Chouen.

A cidade é conhecida como “cidade branca” ou “pomba branca”. De ruas estreitas e íngremes, e edifícios caiados de branco e índigo, a cidade apresenta-se com características marcantes. True blue, tudo a condizer com o blogue


As tintas usadas neste tom de azul têm componentes que ajudam a proteger as casas dos insectos e do calor abrasivo.

O próximo conjunto de fotografias, documentam a passagem por Fez, uma cidade também no interior, mas mais para este.

Na cidade encontra-se a maior Medina (cidade árabe tradicional, cercadas por muralhas) de Marrocos e a mais antiga Universidade do Mundo, a Universidade de Karueein.


Fez, foi fundada em 808, tendo sido a capital de Marrocos durante vários períodos. Em 1912, grande parte de Marrocos caiu na influência francesa e Rabat passou a ser a capital.
Em 810 a.C. foi construída a Mesquita de Qarawiyyin ou Karueein que permanece até hoje a maior e a mais velha mesquita de África.



A Universidade mais velha, a maior mesquita, a maior Medina, o maior n.º de fotografias….é só recordes…


A Medina de Fez el-Bali é ainda uma cidade “medieval”. As portas, os muros que cercam a cidade, as suas mais de 9.000 ruelas, o seu mercado público ao ar livre (Souk), e as suas Tanneries, fazem de Fez uma das melhores atracções de Marrocos.





No local onde se encontram as Tanneries, encontramos características singulares. Muita cor, um cheiro fortíssimo a couro de animais acabados de matar, o cheiro a esterco, ou cocó de galinha, o cheiro a ácido sulfúrico e o cheiro intenso a amónia. Tudo no mesmo local onde se processa o curtume e tingimento do couro. Atenção, putos queques e betinhos, não passem por lá!


À borda destes tanques, cheios de diferentes misturas e cores, com quase 2 metros de diâmetro, os trabalhadores lavam, amaciam, desengorduram, tiraram pelos e tingem os couros dos animais. Tudo muito artesanal e janota…


Uma presença comum em Fez, são os burros. Estes animais são ainda muito usados como meio de transporte.


Como se diz burro em Marrocos?


A finalizar, a pasagem por Fez, temos uma foto de um “Marroco Junkie”. Não, não é o nome da bebida, é sim o tipo lá atrás em 2º plano…brilhante!


Perto de Fez, fica Meknés. Esta cidade foi a próxima paragem. Aqui a espectacularidade e imponência das muralhas (Kasbahs) de entrada na Medina, marcam.


A Kasbah mais visitada em Marrocos, é a Kasbah de Meknés, e o Fernão Veloso já lá foi!


Trata-se de uma Kasbah tripla, com um muro de 25 Km de comprimento e 15 metros de altura. O acesso à cidade de Meknés dá-se através de umas grandiosas portas (Babs), nove ao todo, cada qual com quatro torres de observação.


Meknés e a sua monumental Kasbah, chegou a ser conhecida como "A Versailles de Marrocos".

Bonita fotografia do pôr-do-sol em Meknés.


A aventura, dentro da aventura, foi naturalmente a passagem pelo deserto do Sahara.


Entre Rissani (uma cidade muuuuito pobre) passando junto à fronteira com a Argélia, e ainda pelas dunas de Erg Chebbi, onde não existe água, luz e todas as coisas que estamos habituados, acredito que a vontade de rir, não tenha sido muita…pelo menos na altura…Mas por certo o espirito de uma viagem no deserto foi alcançado.




Tudo o que se possa pensar numa viagem ao deserto, encontra-se nesta aventura. 4 horas de viagem de dromedário, muitas dores nas pernas, dormir no chão com cobertores a cheirar a xixi de camelo, água gelada para fazer a higiene e uma “chuvinha” à mistura... imaginam como foi, certo? Putos queques e betos, não venham para aqui também. :-)
Bonitas fotografias, bonita aventura... ( como se diz isto em Marrocos? )


A fechar o registo fotográfico temos 2 bonitas fotografias, a primeira de Marraquexe (sitio porreiro para gastar uns trocos). A segunda, da cidade de Asilah.

Asilah, cidade na costa noroeste, ainda com uma influencia muito marcada pela presença dos Portugueses.


Em suma, Marrocos é um destino que apesar de possivelmente não termos ideia, excluindo as crianças, claro, conta com uma população muito fascinante, educada, simples e com uma vontade de ajudar, inegável. Um destino que é recomendado vivamente pelos meus amigos Rui e Vanda, a quem deixo os meus agradecimentos por esta fantástica aventura e grandioso registo fotográfico.
Abraço de amizade para todos

PS – Ao que parece no meio desta viagem sob uma forte chuvada, uma ponte desapareceu do mapa, devido à subida do nível das águas. (Putos queques e betos, fiquem mesmo em casa…)

~ 07 março 2009 1 Deixar Comentário